domingo, 22 de março de 2009

Mais de mim!


Bom, nós somos aquilo que queremos ser, acabei de pensar isto agorinhaaa...sabem por que? Porque muita gente pensa que me conhece, que sabe de tudo de mim, pergunto: quem sabe tudo de si mesmo?
Como a maior parte do tempo da nossa vida passamos com colegas de trabalhos, digo colegas, pois amigos são poucos que conseguimos amarrar e conseguir algo mais, falar de trabalho, outros são como conchas...nunca tem problema, nunca estão revoltados com a vida, com o mundo, com TPM e assim...parecem insensíveis...afinal então conseguimos nesse rio de pessoas, pescarmos muito menos que pretendíamos.
Por isso, fico pensando, puxa estou aqui com esse pessoal e não conheço quase ninguém, ou mesmo eles também não me conhecem!
Mesmo assim vou escrever um pouquinho de mim, mesmo que eles ou outras pessoas que estão acompanhando este blog não tenham interesse, sou teimosa, hein!!!
Minha infância foi muito saudável, dentro dos padrões da época, não havia aquilo de muito colo, chamego, criança tinha seu lugar, tinha que ficar longe das conversas de adulto, rapar o prato, tomar água só depois de comer tudo, ah! refrigerante conheci já grandinha, e era no mesmo esquema, só depois de comer tudo...e...um copo!
Vivi por muito anos no mato, pois meus pai foram para o interior abrir a terra, derrubar as árvores que estavam ali há muito mais tempo, mas tinham que fazer alguma coisa para progredir, e a chance naquele momento era abrir fazenda, era assim que falavam. Fomos juntos, meu irmão, eu e minha irmãzinha de dois anos. Fomos num Jeep, lembro bem, eu e meu irmão atrás, um em cada banco de lata, comum nos Jeep daquela época, entre nós além das malas havia a máquina de costura e a cachorrinha Lili. Na frente minha irmãzinha ia no colo da minha mãe.
Por falar na minha mãe, ah!! como ela era bonita! era linda! um corpo de fazer inveja a muita top model de hoje...além dessa beleza natural, era fina, educada, calma, elegante, lembro-me muito bem de muito dos vestidos que ela usava, como eram lindos!!!!! Meu pai, um homem firme, sempre pensativo, parecia que sabia o que teria que enfrentar pela frente não ia ser brincadeira...sabia que passaríamos por muitas dificuldades, ah! quantas!! mas estamos aqui..passamos.
Vejo, hoje com a urbanização muitas situações que passamos, quando falo as pessoas ficam sem saber se é verdade. Quando falo que comi muita cotia, veado, porco criado por nós, que inclusive no dia que matavam o porco era a maior choradeira, nós as crianças não queríamos, tínhamos dó...coitadinho do porco!!! corríamos para trás da casa!!! criar galinhas, catar os ovos, ficar espiando vendo a galinha pôr o ovo, que "nojooooo", mas logo já esquecia, e quando ia buscar os ovos nos ninhos, aqueles que estavam quentes, sabem o que fazíamos? ... colocávamos nos olhos, pois diziam que era bom para as "vistas", quer alegria melhor que ver os ovos sendo bicados pelos pintinhos que estavam nascendo, oh...coisa mais lindas...ah..será que esse vai ser amarelinho? marronzinho? rajadinho? preto? quanta emoção!!!!
Eu adorava a hora de dar o milho para a galinhada, pois nesse momento sempre pegava um para ficar vendo de perto, cheirando, cor dos olhos e até tinha uns que colocava nomes...mas eles esqueciam!!!!
Fora a galinhada, tínhamos os gansos, esses sim eram bravos, gente que não era de casa não entrava, pois ele corriam atrás...
Quem nunca viu um porco comer, não imagina como ele gosta de comer, como come com vontade, como comem gostoso... lembro que não comiam ração, comiam milho, abóbora, soro do leite, todo tipo de verdura, mandioca, bom tudo que vc puder imaginar que se produzia num lugar sem mercado... lembro que não comiam nada estragado, a água era corrente lá no fundo do chuqueiro...
Por hoje estas são algumas lembranças desse tempo que para mim foram muito ricas...o dia passava tão rápido, brincando, tratando dos animais, comendo "maria-preta", "joá", goiaba no pé, catando coquinho, laranja, brincando de derrubar casa de marimbombo...ah!! essa tem uma história, que depois conto.
Vou guardar um pouco, porque vocês vão ficar cansados de ler essas coisas que hoje estão tãããooo looonnnggeee....

8 comentários:

  1. Nossa parece que estou assistindo a um filme... Dá pra imaginar como foi sua infância! Tão diferente de hoje em dia, você realmente foi criança.
    Abraço.

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  2. he he...
    vc faz a gente relembrar...
    coisas perdidas... esquecidas em um passado
    tão recente...

    até...

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  3. Muito legal tia, não sabia que vc tinha morado em sítio / fazenda, adorei seu texto, aliás vc escreve muito bem ! Parabéns !
    Te adoro !!!
    Beijos,

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  4. Ovo no olho? Não precisou quebrar não, né. Acho que é por isso que tem algumas pessoas que tem olho gordo.rsrs. Parabéns pelo blog, você fala com a alma. Bjos

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Removi, mas to postando de novo! hehe

    "quem sabe tudo de si mesmo?"
    Essa é uma boa pergunta, amiga. Aliás.. como julgar os outros se nós não sabemos julgar nem a nós mesmos?! Aliás... estamos aí corrento o tempo todo atrás dos nossos interesses e... epa, peraí, tem uma pessoa do meu lado... puxa, ela tbém comete erros como eu! Puxa, ela tbém sofre! Nossa, ela tbém se emociona!
    Eh, Carlos Drummond tinha razão qdo dizia em seus versos o qto era difícil essa tal "perene, insuspeitada alegria / De con-viver".
    Bjss

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  7. Amiga, me vi lá em Jacarezinho, mais precisamente na Usina Jacarezinho, onde passei minha infância. Vc me fez chorar...Lágrimas doces...

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  8. Jane, lendo o seu texto me lembrei de uma música do Los Hermanos que eu adoro, chama-se O Velho e o Moço. Vou colocar a letra aqui pra você.

    "Deixo tudo assim
    não me importo em ver
    a idade em mim
    ouço o que convém
    eu gosto é do gasto

    sei do incômodo
    e ela tem razão
    quando vem dizer
    que eu preciso sim
    de todo o cuidado

    e se eu fosse o primeiro
    a voltar pra mudar
    o que eu fiz
    quem então agora eu seria

    ahh tanto faz
    e o que não foi nao é
    eu sei que ainda vou voltar
    mas eu quem será?

    deixo tudo assim
    nao me acanho em ver
    vaidade em mim
    eu digo o que condiz
    eu gosto é do estrago

    sei do escândalo
    e eles tem razão
    quando vem dizer
    que eu não sei medir
    nem tempo e nem medo

    e se eu for o primeiro
    a prever e poder
    desistir do que for dar errado

    ahhh ora se não sou eu
    quem mais vai decidir
    o que é bom pra mim
    dispenso a previsão

    ahhh se o que eu sou
    é tambem o que eu escolhi ser
    aceito a condição

    vou levando assim
    que o acaso é amigo
    do meu coração
    quando falo comigo
    quando eu sei ouvir"

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