Hoje não sei porque motivo, tive uma lembrança da infância, daquela da cidadezinha que morei quando tinha uns 10 anos, cidade que estava nascendo. Lembro-me perfeitamente, não tinha um metro de calçada, asfalto, nem pensar!
Morávamos numa casa de madeira, nova, pintada a óleo de verde claro por fora, dentro de gelo. Tinhámos 3 quartos, um banheiro... é, um banheiro. Nunca tivemos problemas, tudo era muito bem claro, não podia sair e deixar bagunçado, havia uma disciplina sem protesto. Todos tinham suas obrigações.
Um dia de cada um de bombar água para a caixa, pois a água era depositada num reservatório e, depois para a caixa que distribuia nas torneiras.
Casa de assoalho encerado, lustrado com escovão, fazíamos limpeza "todos" os dias! Na cozinha eram dois fogões, um a gás e outro de lenha, o a gás para emergências. A lenha vinha da fazenda, era guardada num quartinho de despejo coberto, pois a lenha não podia ser molhada. Ah!! o dia que vinha a lenha... era puxado, dia de jogar a lenha da caminhonete para o quintal, do quintal em ordem e arrumada para dentro do quarto de despejo.
Neste quarto era guardada todo tipo de ferramentas e vez, ou outra, uma galinha que escapava da morte, fazia seu ninho e algumas vezes até chocava. Teve uma vez que minha irmã tinha uma patinha de estimação, a Kuti. Essa patinha foi adotada pela galinha que estava vivendo de lucro, como filha. O tempo que a galinha ficava no ninho chocando os ovos, a Kuti ficava ao lado, puxando os ovos para baixo do papo, querendo fazer o mesmo que a "mãe" galinha fazia... era muito bonito ver a ligação das duas! A paciência da galinha com a "filha".
Quando vou lavar roupa, ou melhor, colocar a roupa na máquina, lembro como minha mãe lavava as roupas. Bom, para começar as roupas eram na sua maioria brancas, as de cama, as roupas de baixo, como diziam, havia anáguas, combinação, pijamas, cuecas de tecido, essa roupa era lavada com todo cuidado para manter-se branca como neve. Para isso, tinha que passar por um momento de ficar exposta ao sol, era a hora de coarar a roupa. O coarador era um estaleiro, geralmente, de bambu coberto com uma forragem verde. Não podia deixar a roupa secar, tinha que ser molhada para o sol tirar as manchas e clarea-las... Depois de prontas, a última água era com anil, um corante que dava uma tonalidade azul nesse branco de doer os olhos!
Sempre falo que roupa no varal é um espetáculo, que estender roupa é uma arte, podem rir, mas acho lindo roupas no varal ao vento.
Ir para a escola que era longe, nem se pensava que o pai ou a mãe poderia nos levar, nunca nos chamaram de manhã para ir à escola. Estivesse frio ou calor, era rotina e nem se pensava em engabelar, gostávamos de ir para a escola, um colégio público. Na volta, a turma vinha brincando, vez ou outra pegávamos carona com as carroças que passavam, foi uma época de muita alegria e pureza. Meus pais não tinham tempo e nem conhecimento para acompanhar nossos estudos, não tinha essa de saber se tinha tarefa, nossa obrigação era ir bem e passar de ano.
Hoje quando vejo que vivi, passei por tudo, fico feliz, dou graças a Deus em ter vivido esse tempo.
Minhas lembranças alimentam meu hoje, tenho certeza que irão me alimentar por mais tempo.
sábado, 27 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
Companhia
Depois de muito tempo afastada do blog, por motivos que não dependiam de mim... estou com muita vontade de por os assuntos em dia.
Primeiro, nesse tempo passei por momentos de reflexão, de alegria, de decepção, de novas descobertas, de aprendizagem...
O ano passado foi um ano de muitas alegrias, me senti livre e foi um ano que considero como marco de uma nova pessoa. Valeu as experiências que vivi, aprendi e sou mais segura, sem medo do desconhecido, sei dos cuidados que devo ter para não sofrer.
Estou tentando ser produtiva como estava, concordo com os poetas que dizem que o Amor é que move o mundo, esse amor pode ser de várias formas.
Com os "novos moradores" estou curtindo de parceria o amor maternal, ao mesmo tempo, o amor filial também está em alta, sinto meus filhos mais presentes em minha vida. Agora que estão adultos, seguindo, cada um seu caminho. Sinto-me como importante coadjuvante nessa caminhada, isto preenche uma lacuna importante, não me sinto tão sozinha. Mesmo assim, sinto que temos que ter uma companhia que preencha os momentos de solidão, momentos de escuridão, de silêncio, de sinceridade, momentos de abertura da alma, de troca de confidências, de cumplicidade e companheirismo... com uma pessoa que lhe faça bem.
Primeiro, nesse tempo passei por momentos de reflexão, de alegria, de decepção, de novas descobertas, de aprendizagem...
O ano passado foi um ano de muitas alegrias, me senti livre e foi um ano que considero como marco de uma nova pessoa. Valeu as experiências que vivi, aprendi e sou mais segura, sem medo do desconhecido, sei dos cuidados que devo ter para não sofrer.
Estou tentando ser produtiva como estava, concordo com os poetas que dizem que o Amor é que move o mundo, esse amor pode ser de várias formas.
Com os "novos moradores" estou curtindo de parceria o amor maternal, ao mesmo tempo, o amor filial também está em alta, sinto meus filhos mais presentes em minha vida. Agora que estão adultos, seguindo, cada um seu caminho. Sinto-me como importante coadjuvante nessa caminhada, isto preenche uma lacuna importante, não me sinto tão sozinha. Mesmo assim, sinto que temos que ter uma companhia que preencha os momentos de solidão, momentos de escuridão, de silêncio, de sinceridade, momentos de abertura da alma, de troca de confidências, de cumplicidade e companheirismo... com uma pessoa que lhe faça bem.
sábado, 20 de março de 2010
Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira! (Cecília Meireles)
Está chegando o dia de meu aniversário... ai...ai... até que gosto de festa, mas quando começa a subir o número de velinhas... ai...ai... estou ficando preocupada. O tempo passa, deixando suas
marcas.
Marcas de expressão, marcas de sol, marcas de lembranças boas e ruins, marcas que muitas vezes não queremos lembrar. Não posso reclamar desse tempo vivido, posso dizer que tudo valeu a pena ser vivido. Aprendi muita coisa, sei que devo ter sabedoria para usufruir dessa aprendizagem.
Hoje sou uma pessoa de bem com a vida, não brigo com as fases da vida, com as intempéries naturais que passamos. Encaro tudo de maneira normal buscando entender suas causas e tirar proveito dessas novidades.
Assim, com mais um ano de vida, tenho que tirar proveito e viver melhor que o ano anterior. Vou atrás de meus sonhos e projetos, que não fico sem viver, sem objetivos, assim me sinto viva. Tenho por princípio que tudo que somos e temos, começam com sonhos, planos e ações. Sem medo de mudanças e do desconhecido.
"Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira", frase de Cecília Meireles, retrata bem o que penso sobre os anos vividos, aprendi a tirar proveito de tudo que vivo, sinto que estou cada dia mais forte, como se realmente esse tempo renovasse minhas energias e sabedoria, sinto-me inteira e consciente do que me espera.
Quanto a festejar essa data penso que este ano estou mais para curtir em casa com meus filhos e amigos sem nenhuma cerimônia, tudo na simplicidade, na certeza de haver muita sinceridade, harmonia e paz. Paz para comemorar a vida e suas surpresas!!
quinta-feira, 18 de março de 2010
Novos moradores!
Depois de um longe tempo, voltei... outra hora conto a novela da instalação da Internet em casa. Agora vou contar sobre os cinco novos moradores. A Lola, nossa cachorrinha vira-lata, criou, veio com a surpresa de vir logo com cinco, três meninas e dois meninos. A Lola tem dois anos, já é adulta e mãe, posso dizer muito responsável e cuidadosa.
O período de gestação foi tranquilo, tirando nossa ansiedade em saber quantos viriam e qual o sexo dos pequenos. Passaram-se 60 dias, até que resolveram da a cara no novo mundo... como estava sozinha e resolveram nascer à luz do dia, tive que acompanhar tudo, já que eram só nós duas em casa.
O ser humano complica demais, a Lola quando começou a sentir os sinais de parto, tratou de ficar na cama, quieta.
Percebi o quanto os animais são ligado à natureza, nessa hora é nítida o relaxamento, a confiança naquilo que é natural.
Foi emocionante assistir o nascimento, em duas horas nasceram os cinco. As contrações vinham naturalmente, o nascimento acontecia no silêncio, silêncio comparado ao momento de descanso dos habitantes de uma floresta ou silêncio do fundo do mar. Ela cuidou de cortar o cordão umbilical, livra-los da bolsa, limpa-los do líquido e ensiná-los a se alimentar, pois assim que percebia que o pequenino estava bem, procurava uma tetinha e o encaminhava para mamar.
Emocionante, porque tudo transcorreu na mais perfeita integração animal-natureza, tudo foi em harmonia, em paz.
Agora estamos paparicando essas lindezas, são todos pretinhos com pequenos detalhes que os diferencia, começamos a ver que cada um tem uma particularidade, numa coisa todos são iguais: são famintos, pois mamam... mamam... mamam... ficamos por momentos admirando-os mesmo nos movimentos mais simples, é um verdadeiro encantamento!
Quero deixar registrado que a natureza é maravilhosa, deveríamos confiar mais nela, deveríamos deixar as coisas fluirem mais calmas, sem interferir e, sim, integrarmos, sermos mais naturais!
sábado, 16 de janeiro de 2010
O canto da gente!!

Somos como todos os outros animais, queremos ter uma pousada firme, um galho para pernoitar, uma beira de rio manso para descansar, um ninho de folhas fofas, enfim, um lugar para ancorar nossos planos, sonhos, desejos e realizações.
Queremos ter esse lugar de apoio, de recolhimento, principalmente, depois de um dia de luta pela sobrevivência, um lugar para recuperar as forças e renovar o ânimo para seguir em frente... Por isso, ter um canto para morar sempre foi importante.
Quando se é jovem não se tem muita visão dessa importância, com o passar do tempo, esse canto vai ficando ponto de referência, vai criando um vínculo forte na vida. Sem perceber vamos fabricando nossos artefatos pessoais, cada um vai personalizando seu espaço, de acordo com suas características e sonhos.
Analisando meu canto, a minha casa, me vejo como uma pessoa com sonhos limitados, consciente da realidade. Tenho tudo que sempre desejei ter, algumas coisas vejo que adquiri em momentos de deslumbre, mas já passou!! agora sou mais realista.
Tem outra coisa, sou professora de História, carrego muito isso comigo, assim, sempre digo e cheguei à conclusão, que nunca terminamos de arrumar nosso canto, pois "esse canto" está em constante construção, somos seres em construção e modificação.
A casa representa muito a pessoa que ali mora, tenho coleção de caixinhas, cada caixa tem sua história, não gosto de sair comprando, sem significado, pois em cada uma quero ver um tempo, uma pessoa, um lugar que foi especial. Sou de cuidar de peças que me trazem boas lembranças, nem que seja um bibelô daqueles antigos. Cada peça da minha casa tem seu significado, sua história.
Por isso, falo que o "canto da gente" é uma construção histórica, leva uma vida para ser feito!
Por isso, acho que nunca termino de arrumar meu canto, só vou parar quando morrer!!
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Ser animal!

Estou lendo as previsões para este novo tempo que se inicia. Pesquisando pela Internet descobri que este ano no horóscopo chinês é o Ano do Tigre. Humm, animal lindo, forte, astuto, ao mesmo tempo que parece manso e suave, é esperto e altivo. Sempre tive comigo uma foto de uma onça do pantanal colada no painel do escritório, é o animal que mais simboliza a Mulher, penso eu. Depois do Urso é o animal mais lindo, acho que pela força, energia, silêncio, solidão que sinto quando olho para uma, seja negra, seja pintada ou a parda, todas são LINDAS!!Sempre falei que se fosse para escolher ser um bicho, gostaria de ser uma onça pintada, dessas bem brava... selvagem, lutadora, com todos seus direitos de bicho do mato garantidos.
No horóscopo chinês meu signo é Serpente, após ler as características, fiquei mais tranquila, pois assim que soube que era Serpente, fiquei preocupada. Tenho grandes qualidades como Serpente, menos mal.
No horóscopo ocidental sou Áries, ou Carneiro, digo sempre que sou imediatista, dou muita cabeçada, muitas vezes bola fora, por ser ansiosa, não gosto e nem sei esperar, por isso vez ou outra falo coisas que se esperasse mais, não falaria... podem rir!! tenho amigos e parentes que sabem do que falo. Esse lado é do Carneiro, para quem conhece sabe que não tem paciência nenhuma, vai tudo na cabeça...
Depois de analisar essa bicharada na minha vida, fiquei pensando se realmente sou tudo isso, se tenho todas as qualidades desses bichos? e também os defeitos? será que uma pessoa dá conta de ser tudo isso??
Sei que estou, ainda, tentando me conhecer. Como na antropologia, diz, estou em construção, sou diferente de ontem e serei diferente amanhã... assim quando será que saberei quem sou?
Mesmo assim, sabendo o que quero para minha vida, me darei por satisfeita, vocês não acham?
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Surpresa?
O que é surpresa? sempre que pensamos vem à idéia coisas boas. Quando vem uma má surpresa, o que fazemos??
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